No mundo acelerado e repleto de cobranças em que vivemos, o esgotamento no trabalho é uma realidade que afeta os mais diversos segmentos de mercado. A situação, entretanto, se revela ainda mais crítica para os profissionais da saúde – e, em especial, para os médicos veterinários.

Para sustentar a gravidade do quadro, números não faltam: um estudo guiado durante 3 décadas pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC) mostrou que a taxa de suicídio entre profissionais veterinários é 3,5 vezes mais alta do que no restante da população.

O estudo, publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA), contou com uma amostra de 11.620 profissionais e trouxe à tona o lado sombrio da profissão: ansiedade, depressão, carga excessiva de trabalho e baixas remunerações, entre outras sérias problemáticas que culminam na chamada Síndrome de Burnout.

 

A seguir, saiba mais sobre a Síndrome de Burnout na Veterinária, os principais sinais para identificar o problema e cuidados eficazes de tratamento e prevenção!

O que é Síndrome de Burnout?

Em grande parte associada ao alto número de suicídios em Medicina Veterinária, a Síndrome de Burnout é um estado mental, emocional e físico de exaustão extrema, resultante de um volume excessivo de situações profissionais emocionalmente exigentes e/ou estressantes.

 

Grande carga de responsabilidade e/ou competitividade no trabalho também influenciam diretamente no desenvolvimento da síndrome.

 

Comum entre profissionais que atuam diariamente com o acúmulo de tarefas e pressão constante, a doença empresta o nome do termo inglês burnout (burn: queimar e out: por inteiro).

 

É importante acrescentar que esse sério problema psicológico também pode se desenvolver quando o profissional estabelece ou é cobrado por objetivos de trabalho muito difíceis, que o façam sentir incapaz, incompetente ou inapto.

 

Atenção: a Síndrome de Burnout pode acarretar depressão profunda e, em casos extremos, suicídio. É fundamental buscar ajuda assim que surgirem os primeiros sintomas, conforme veremos a seguir.

Síndrome de Burnout na Veterinária: alerta para os profissionais do setor

Antes de partir para os sintomas do problema, vale a pena retomar, aqui, algumas reflexões dos especialistas que conduziram o estudo mencionado no início do artigo.

 

De acordo com os pesquisadores, as graves tendências de suicídio entre médicos veterinários são motivadas, dentre outros fatores, por:

 

  • longas horas de trabalho;
  • o próprio excesso/volume de trabalho;
  • expectativas e reclamações dos clientes;
  • responsabilidades da gestão de clínicas e hospitais;
  • falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
  • procedimentos de eutanásia.

 

A difícil realidade do mercado, aliada à pressão emocional típica dos profissionais da saúde (que precisam lidar com alta taxa de mortalidade dos pacientes e o sofrimento dos clientes em uma base diária), fazem com que o esgotamento profissional mereça atenção redobrada por parte dos profissionais de Medicina Veterinária.

Mas afinal, como identificar o problema? 14 sinais da Síndrome de Burnout

De maneira geral, a doença é baseada em 3 pilares centrais: esgotamento físico e mental, sensação de impotência e falta de expectativas. O distanciamento afetivo e a perda de sentido de realização profissional também estão entre os primeiros sintomas mais comuns.

 

Além do sofrimento psicológico, sintomas físicos também podem ser deflagrados com o problema. Confira os principais sinais:

 

  • Cansaço excessivo físico, emocional e mental;
  • Alterações no apetite;
  • Dor de cabeça frequente;
  • Dificuldade de concentração;
  • Negatividade constante;
  • Insônia;
  • Sentimento de insegurança e fracasso;
  • Isolamento;
  • Sensação de incompetência, derrota e desesperança;
  • Dores musculares;
  • Pressão alta;
  • Mudanças repentinas de humor;
  • Alteração nos batimentos cardíacos;
  • Problemas gastrointestinais.

 

É importante destacar que os sinais geralmente aparecem aos poucos, de forma leve. Por isso, muitas pessoas são levadas a acreditar que se trata de algo inofensivo e passageiro.

 

Fique atento: a tendência é que os sintomas piorem ao longo dos dias, e a ajuda deve ser buscada assim que possível, antes que os problemas se compliquem. De fato, pode ser algo menos grave e passageiro mas é preciso descartar a possibilidade da Síndrome de Burnout já no primeiro momento.  

Como funciona o diagnóstico da doença?

O correto diagnóstico da Síndrome de Burnout deve ser realizado após a análise clínica com profissional especializado (psicólogo ou psiquiatra).

 

No processo de identificação da doença (que muitas vezes é negligenciada pelo médico veterinário, que não tem noção da gravidade do problema), o apoio de familiares e amigos é fundamental, assim como o acompanhamento de pessoas próximas para ajudar a identificar os sintomas.   

Saúde Mental em cena: como tratar e prevenir a Síndrome de Burnout na Veterinária?

O tratamento da Síndrome de Burnout na Veterinária normalmente é conduzido com o trabalho de psicoterapia, mas também pode incluir o uso de medicamentos (ansiolíticos e/ou antidepressivos).

 

Além disso, são recomendadas mudanças no estilo de vida e nas condições de trabalho. Exercícios físicos e de relaxamento, assim como atividades de lazer com familiares e amigos, devem ser incluídos na rotina para controlar os sintomas e aliviar o estresse profissional.

 

Com o diagnóstico, é altamente recomendado que o paciente tire férias e foque em atividades que promovam sua saúde física e mental.

Piora dos Sintomas

Os sintomas da doença podem se agravar caso o médico veterinário não siga o tratamento recomendado. Nesses casos, há piora substancial nos problemas gastrointestinais e na perda de motivação, que pode progredir para uma depressão profunda. Aqui, uma avaliação detalhada do quadro e possíveis intervenções médicas podem ser necessárias.

 

Prevenindo a Síndrome de Burnout

Tendo em vista a urgência do problema no segmento veterinário, a boa notícia é que possível lançar mão de estratégias e hábitos para prevenir a doença e manter a saúde mental em dia.

 

De maneira geral, hábitos saudáveis e ações para aliviar a pressão e o estresse do trabalho são caminhos fundamentais para evitar o esgotamento profissional. Confira:

 

  • Participe de atividades de lazer regulares com familiares e amigos;
  • Estabeleça pequenos objetivos alcançáveis na vida profissional e pessoal (mantendo a motivação em alta);
  • Converse com pessoas de confiança sobre seus sentimentos e sobre a pressão no trabalho;
  • Faça atividades físicas regularmente, o que pode incluir caminhadas, academia, corrida, dança, natação, dentre outras;
  • Realize atividades esporádicas que fujam à rotina diária, tais como ir ao cinema, conhecer restaurantes, frequentar a casa de amigos etc;
  • Descanse adequadamente e mantenha o sono em dia (ao menos 8h diárias);
  • Não tome remédios sem prescrição médica e nem se automedique para tratar sintomas associados ao estresse;
  • Evite o consumo de álcool, tabaco e outras drogas na busca por aliviar os sintomas decorrentes da pressão no trabalho, evitando acarretar ainda mais confusão mental e estresse.

 

Você já tinha ouvido falar sobre a Síndrome de Burnout na Veterinária? Trazer o assunto para o centro do debate é fundamental não apenas para levar informações aos profissionais (que podem estar sofrendo com o problema), como também para estimular uma cultura que valorize a saúde mental do Médico Veterinário, encarando-a como prioridade.  

 

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