Já tratamos, aqui no blog, sobre a grande recorrência da Síndrome de Burnout entre profissionais da saúde e, em especial, entre os médicos veterinários. O desgaste físico e emocional no segmento, entretanto, não se restringe a este problema – outro exemplo de transtorno comum é a chamada fadiga por compaixão na Veterinária

 

Vale mencionar, neste momento, uma observação do Compassion Fatigue Awareness Program: segundo o portal, prestadores de serviço da saúde (em especial os que lidam diretamente com pessoas ou animais em situações de fragilidade, estão muito mais propensos a enfrentar desafios emocionais que levam ao burnout, ao estresse crônico e outros tipos de problemas

 

Reforçando o grave quadro de exaustão física e mental dos profissionais da área e a importância da saúde mental, abordamos a comum fadiga por compaixão na Veterinária, desvendando seus sintomas e formas de tratamento. Acompanhe!

Investigando o problema: o que é fadiga por compaixão na Veterinária? 

 

Na definição do Prof. Dr. Charles Figley, da Tulane University, fadiga de compaixão pode ser definida como o  “estado experimentado por aqueles que ajudam pessoas ou animais em situações problemáticas; um estado de extrema tensão e preocupação com o sofrimento dos seres ajudados em tal nível que isso pode criar um estresse traumático secundário para aquele que ajuda”.  

 

É interessante lembrar que os profissionais da Veterinária, tal como enfermeiros, médicos e trabalhadores voluntários, geralmente possuem um senso altruísta e um desejo genuíno de curar e oferecer o melhor tratamento para pacientes enfermos e em situações vulneráveis. 

 

Toda essa carga emocional, se também é benéfica para o bom desempenho na profissão, é capaz de gerar um grande sentimento de compaixão que se transforma num peso negativo –  e traz consequências negativas para a saúde mental e o dia a dia dos profissionais. 

 

No caso dos médicos veterinários, esse peso é duplamente sentido: o sofrimento é compartilhado tanto pelo animal atendido quanto pelo seu tutor. 

 

Vale ressaltar que a fadiga por compaixão é um sério transtorno psicológico que pode se desenvolver de forma extrema e induzir até mesmo ao suicídio. Entender o problema é um primeiro passo fundamental para identificar os sinais e buscar o correto tratamento. 

 

Qual é a diferença entre Fadiga por Compaixão e Síndrome de Burnout? 

 

É interessante destacar que o termo “fadiga por compaixão” ainda é pouco difundido no Brasil, sendo bastante confundido com a expressão mais conhecida “síndrome de burnout”  (ambos os problemas têm altos índices de ocorrência na Medicina Veterinária).  

 

Mas afinal, qual é a diferença entre os dois transtornos? 

 

O Burnout, que é um problema mais abrangente, é uma insatisfação geral e crônica relacionada ao ambiente de trabalho, independentemente do segmento de atuação

 

A partir das muitas e específicas ocorrências em profissionais da saúde, no entanto, cunhou-se o termo “fadiga por compaixão”, que engloba características do Burnout mas também se volta para peculiaridades do adoecimento na área da saúde

 

Dessa forma, enquanto a síndrome de Burnout contempla o cansaço extremo daqueles que trabalham com o outro, a fadiga por compaixão contempla aqueles que atuam com o outro em sofrimento. O Burnout se restringe à exaustão e insatisfação com o ambiente de trabalho – a fadiga por compaixão já decorre do grande peso que é se importar e sentir compaixão pelos indivíduos em sofrimento. 

 

Em outras palavras, a fadiga por compaixão pode ser definida como “o peso da empatia e da compaixão pelo cuidado com outro ser em situação dolorosa”. 

17 sintomas para identificar a Fadiga por Compaixão na Veterinária 

 

Apesar de toda a dor e exaustão psíquica, emocional e física, prestar atenção aos sintomas é parte essencial para tratar o problema da fadiga por compaixão. Vale reforçar, ainda, que muitas vezes os sinais passam despercebidos pelos médicos veterinários, sendo tomados por algum mal-estar passageiro. Fique atento: 

 

  • Ceticismo;
  • Sentimento excessivo de culpa;
  • Emoções contidas;
  • Isolamento;
  • Abuso de substâncias para mascarar sentimentos;
  • Negligência com o autocuidado (incluindo aparência e higiene);
  • Problemas de concentração;
  • Desesperança;
  • Sensação constante de exaustão;
  • Recorrência de flashbacks de eventos traumáticos e pesadelos;
  • Comportamentos compulsivos;
  • Reclamações constantes por parte de outros, como familiares, colegas de trabalho e pessoas próximas, gerando conflitos;
  • Apatia e ausência de prazer em atividades que antes eram agradáveis;
  • Negação de problemas;
  • Dor de cabeça;
  • Problemas gastrointestinais;
  • Relações interpessoais comprometidas. 

Afinal, como evitar e tratar o transtorno? 

 

Na verdade, é importante ter em mente que não é preciso esperar para que os sintomas de fadiga por compaixão apareçam ou se agravem para tomar atitudes a favor da sua saúde mental. 

 

Hábitos simples mas altamente eficientes de autocuidado são essenciais para evitar transtornos psicológicos tão comuns na profissão da Medicina Veterinária, assim como para tratar os problemas. Entre os principais cuidados, podemos citar:

 

  • Implementar atividades prazerosas e saudáveis na rotina, tais como frequentar a academia, fazer esportes, encontrar amigos com regularidade, ler, investir em um hobby;

 

  • Buscar desenvolver e fortalecer limites emocionais, lembrando-se sempre de que, para ajudar o outro em sua dor, é preciso antes de tudo estar bem;

 

  • Investir no cuidado consigo mesmo, valorizando o tempo livre para atividades pessoais, aprendendo a dizer não para o que não faz bem, cuidando da autoestima;

 

  • Cuidar para não passar o bem-estar dos animais e tutores antes do seu próprio bem-estar (só você é responsável por ele); 

 

  • Estabelecer limites para o trabalho, valorizando a vida pessoal. Você não precisa (e não deve!) estar disponível para o outro 24h por dia;

 

  • Lembrar-se e orgulhar-se do altruísmo e da importância do seu trabalho para os animais, mas ter em mente que sua vida não se limita ao seu trabalho;

 

  • Se você é dono e gestor de clínica, buscar implementar um ambiente saudável e agradável de trabalho, incentivando o bem-estar dos funcionários e promovendo atividades positivas que fortaleçam os vínculos entre a equipe. 

 

É importante destacar, ainda, que a prática clínica pode ser muito solitária. Não se feche em seus problemas e divida suas apreensões com colegas de trabalho (que podem estar atravessando a mesma coisa) e amigos. 

 

Depois dos primeiros passos que envolvem o reconhecimento da crise, buscar ajuda especializada é fundamental. O apoio psicológico e/ou psiquiátrico, aliado ao possível uso de medicações em alguns casos, é uma parcela crucial do tratamento.

 

Lembre-se sempre: para oferecer saúde e bem-estar, é preciso antes de tudo ter saúde e bem-estar

 

Se você deseja obter mais informações sobre a fadiga por compaixão na Veterinária, não deixe de conhecer o portal do Compassion Fatigue Awareness Program!

Esperamos que este conteúdo seja útil! Continue a acompanhar o blog para mais artigos e dicas sobre saúde mental, atualização e carreira na Medicina Veterinária!